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Tumulto pós-eleição termina com três pessoas detidas pela PM no centro de Apucarana

Três pessoas foram detidas pela Polícia Militar (PM) na noite de domingo (25) após uma confusão na Praça Rui Barbosa, no centro de Apucarana. O tumulto começou durante a comemoração de eleitores após a vitória do Lula nas eleições presidenciais. A direção do PT na cidade divulgou nota pedindo explicações sobre eventuais excessos dos policiais na abordagem.
Segundo relato da PM, a corporação orientava o grupo a desligar o som e ir embora, já que passava das 23h — horário limite combinado com os organizadores do ato. Parte do público saiu, mas um grupo permaneceu no local, e estaria provocando algazarra e xingando as equipes policiais.
O momento de maior tensão ocorreu quando os policiais decidiram abordar os envolvidos. Conforme informou a PM, o jovem de 19 anos teria resistido à ação e, durante o embate físico, teria colocado a mão no coldre de um dos policiais, e teria tentado roubar a sua arma de fogo, de acordo com a PM. Diante do risco extremo, os militares precisaram usar a força para derrubá-lo e algemá-lo.
Enquanto o jovem era imobilizado, a irmã dele, de 28 anos, teria partido para cima dos policiais na tentativa de soltá-lo. Ela também precisou ser contida. Avisada de que seria presa por desacato, a mulher ficou agitada e teria se recusado a mostrar o que havia dentro de sua bolsa. Em um movimento brusco, ela enfiou a mão no acessório. Sem saber se ela tentava sacar uma arma, os policiais a derrubaram no chão para desarmá-la. Mais tarde, na delegacia, os agentes descobriram o motivo do desespero: havia porções de maconha na bolsa. Ela confessou que a droga era para uso pessoal e revelou, inclusive, que cultiva a planta em casa.
A situação saiu do controle e outras pessoas ao redor teriam, segundo a PM, começado a atacar os policiais com violência para tentar resgatar os presos. A polícia utilizou spray de pimenta e disparou um tiro de bala de borracha.
Ainda conforme a polícia, no meio da confusão, um homem de 34 anos ignorou as ordens de afastamento, teria ofendido os militares e empurrado diversas vezes o policial que segurava os presos, tudo isso enquanto dizia que estava gravando a ação. Ao perceber que seria preso, ele tentou fugir correndo, mas foi perseguido a pé e capturado.
Um quarto homem procurou a delegacia pouco depois do ocorrido alegando ter sido agredido por um policial durante o tumulto. A queixa foi registrada para apuração.
Todos os detidos foram encaminhados à Delegacia de Polícia de Apucarana, onde se apresentaram acompanhados de seus advogados. De acordo com a PM, eles podem responder pelos crimes de desacato, desobediência, resistência e porte de drogas para consumo. Os apoiadores do presidente Lula envolvidos negam a versão da PM.
Nas redes sociais, o PT Apucarana disse que uma mulher foi agredida durante a abordagem policial. "Todo cidadão tem direito à integridade física, à segurança e ao respeito. Os fatos precisam ser apurados, e eventuais abusos devem ser responsabilizados. A população merece respostas. Violência e abuso de autoridade não podem ser tratados como algo normal", escreveu em uma publicação.
A direção do PT divulgou uma nota na manhã desta segunda-feira, pedindo esclarecimentos. Veja na íntegra:
"O Partido dos Trabalhadores (PT) de Apucarana vem a público manifestar profundo pesar pelos acontecimentos registrados na noite das comemorações do resultado eleitoral no centro da cidade.
Até por volta das 23 horas, as celebrações ocorreram de forma pacífica, democrática e ordeira, reunindo militantes, apoiadores e cidadãos que exerciam legitimamente seu direito de manifestação. Por isso, causa estranheza a forma como se deu a abordagem policial posteriormente, especialmente diante dos relatos sobre o uso desnecessário de armamentos não letais e de medidas que precisam ser devidamente esclarecidas.
Diante dos fatos, o Partido dos Trabalhadores encaminhará questionamentos formais ao Comando do 10º Batalhão da Polícia Militar de Apucarana, buscando obter informações detalhadas sobre as circunstâncias da operação, os procedimentos adotados e as razões que motivaram a intervenção.
O PT de Apucarana agradece ao advogado Dr. Renato Macedo, que prontamente acompanhou a ocorrência e prestou assistência aos envolvidos junto à Delegacia de Polícia, garantindo a observância dos direitos legais e o devido acompanhamento jurídico da situação.
Reafirmamos nossa confiança nas instituições democráticas, no Estado de Direito e no Poder Judiciário. O Partido dos Trabalhadores acredita que todos os fatos serão devidamente apurados pelos órgãos competentes, com independência, responsabilidade e respeito à verdade.
Da mesma forma, o PT empenhará todos os esforços necessários para que eventuais excessos sejam rigorosamente investigados e esclarecidos, sempre em defesa dos direitos constitucionais, das liberdades democráticas e da integridade de todos os cidadãos".